terça-feira, 2 de outubro de 2012

Expondo vivências, diluindo fronteiras...

Algo que me surpreendeu no ELAC, o Encontro Latino-americano de Arquitetos da Comunidade, foi a ampla interlocução entre realidades, desafios, e a total integração entre os participantes, de várias faixa-etária, áreas de atuação, culturas, atribuições...

Por exemplo, numa mesma mesa estiverem presentes dividindo opiniões, experiências, trazendo suas impressões, colocadas de maneira horizontal, num diálogo franco,
...Desde arquitetos com repertório extenso de projetos de habitação até um próprio abañil, pra nós o pedreiro, que nesse contexto vi participar da produção do habitat pra muito além da execução, e próximo a produção social e política que o envolve.

Na primeira mesa do encontro, já apresentando um trabalho escrito por mim e Samira, um intercambio de experiencias, idades, países,... Assim lado a lado, entrelaçado, somando, papéis, cartazes, ...e palavras de cada um que endossavam um discurso, em manifesto pela arquitetura ao comum. E fui percebendo que os quereres estavam dispostos a mesa, em igual medida e peso... Como confesso, ainda não tinha vivido em minha vida acadêmica.

Bom, um pouco das impressões... bem pouco.



links: Álbum de fotos - setembro 2012
        Buenos Aires e La Plata - ELAC 2012
        Caracas, Vezenuela - Organização do ELAC 2014
   

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

...y siguen los platenses


"Você sabe a que dedica esse monumento em que você está sentada?"
Assim fui abordada por uma estudante no pátio da faculdade. O monumento que falava era o Espiral, em memória a 101 estudantes de Arquitetura de La Plata desaparecidos até a década de 90. Sexta feira passada foi o aniversário de sua inauguração, momento lembrado com vídeos, charlas e marchas.




A experiência platense que tive durante esse encontro foi um bom exemplo, entre muitos que percebi na América Latina.
A postura com que a faculdade de arquitetura de La Plata se coloca social e politicamente me toca a cada instante e a cada fato que vejo e revejo..
Hoje mesmo acontece a semana da memória, momento em que eles dedicam atos e marchas aos desaparecidos da ditadura argentina. Acho importante dizer o quanto os efeitos desse regime se desdobram até hoje, e põe a comunidade universitária em alerta todo o tempo.
Por toda a cidade e vejo também pelo país, cartazes e adesivos estampam a cara de Mariano Ferreyra, morto numa marcha agora mesmo, em 2010. A faculdade de arquitetura, centrada na atividade do grupo Agite mobiliza o curso e suas atividades em torno da luta e justiça, abraçando a causa do Encuentro de Arquitectos de la Comunidad, nesse tempo, interlocutando escola e movimentos sociais.

Um pouco mais em http://www.agitestudiantil.com.ar/
Fotos de Matias Valiente em Facebook


domingo, 16 de setembro de 2012

arquitetura e comunidade

"Minha mãe é arquiteta da comunidade a 20 anos. E eu tenho orgulho dela."
Assim me toquei do que estava presenciado naquele dia. Um encontro de arquitetura, com representantes da américa latina a fim de discutir as cidades que vivenciam e a arquitetura que produzem.
A luta, o combustível da conversa e debate.
O social, o motivo que levava a ações e a troca.
O comum, o enlace entre objetivos e motivações.

Esse encontro me proporcionou um olhar sobre a produção da cidade, a partir dos envoltos na esfera da arquitetura e urbanismo. Mais pra além de conceitos e premissas intrínsecas a um projeto ou outro, é ver o que nos reúne. O que nos leva a agir nessa esfera da sociedade? Quais contextos e costumes lidamos na América? Como nos colocar como os atores da produção da cidade? E com quais interagimos?

Não existe pós e contras à essa lógica. Tudo faz a cidade crescer num ponto ou em outro. A questão é para onde e com quem. E a cada romper desse tecido costurar e enlaçar as realidades dispostas..

Foto plano de fundo: Miguel Caamaño
2ª Encuentro Latinoamericano de arquitectos de la comunidade - BsAs y La Plata, 2012.
(https://www.facebook.com/arquitectos.comunidadbsas)